Os bastidores de uma vida de filme
Depois de décadas agarrado a vícios de todos os tipos, do crack à tequila, passando pelos cremes de testosterona, Charlie Sheen ficou finalmente sóbrio em 2015. A estrela do filme Platoon e da série Dois Homens e Meio decidiu então ser um homem diferente e, três anos depois, como parte da recuperação, lançou-se na escrita de... O Livro de Sheen. Recusando a ajuda de escritores-fantasmas, é pela sua própria voz - sem filtros ou embelezamentos literários - que nos narra uma vida extraordinária. A começar pelo nascimento, em que quase morreu estrangulado pelo cordão umbilical, e pela infância, vivida sempre em movimento: o pai, Martin Sheen, arrastou consigo a família a cada novo filme, de modo que o jovem Charlie cresceu em cenários de Hollywood (ou em sets como o de Apocalypse Now, nas Filipinas) e rodeado de amigos, como os irmãos Sean e Chris Penn, que, tal como ele, viriam a tornar-se estrelas mundiais. Sheen teve uma carreira estratosférica e chegou a ser o ator de televisão mais bem pago do mundo, quando protagonizou Dois Homens e Meio. Mas foi ainda durante a rodagem dessa série que tudo começou a descambar - as adições e os escândalos conduziram-no a uma longa travessia no deserto. Esse percurso está todo aqui, os altos e baixos, desde as memórias de jogar pingue-pongue com O. J. Simpson, a perder a virgindade com uma profissional, passando pela overdose de cocaína a que sobreviveu por pouco. É tudo inacreditável e é tudo verdade. Com uma voz única, um humor cortante e um estilo coloquial, quase cru, o autor oferece-nos um livre-trânsito de acesso aos bastidores do filme da sua própria vida.