Snu Abecassis tem 24 anos quando resolve lançar-se, com o marido Vasco Abecassis, na criação de uma editora. A inspiração é evidente: o padrasto, Tor Bonnier, editor sueco próximo da Academia Sueca e da elite literária mundial. A jovem dinamarquesa — que nasceu Ebba mas a quem chamavam Snu, «esperta» — quer mudar o mundo, e acredita que a literatura e a informação têm esse poder. Mesmo num país latino sob ditadura, onde veio parar por casamento.
Ao longo das décadas de 1960 e 1970 fará das Publicações Dom Quixote uma voz contracorrente de referência, publicando Marguerite Duras, Saul Bellow, Samuel Beckett, Reinaldo Arenas, Heinrich Böll, Soljenítsin, Norman Mailer, Pablo Neruda, Vinicius de Moraes, Paul Éluard, Noam Chomsky, Jean-Paul Sartre e Quino, e, entre os portugueses, António Lobo Antunes, Natália Correia, Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Alexandre O'Neill, David Mourão-Ferreira e José Cardoso Pires. Um legado que perdura mesmo depois da sua morte, no desastre de avião que vitimou também o companheiro da segunda parte da sua vida, Francisco Sá Carneiro.