Lisboa · desde 1943

A nossa história

Há mais de 80 anos, um espaço de liberdade e pensamento no coração da cidade.

1943 Ano de fundação
80+ Anos de história
3 Pisos de cultura
Uma livraria com alma
A livraria

Uma livraria com alma

Em três pisos no centro de Lisboa, a Buchholz reúne literatura portuguesa e estrangeira, ensaio, novela gráfica e artes. Mais do que uma livraria, é um espaço vivo de cultura — com clubes de leitura, conversas, concertos, podcasts ao vivo, workshops e exposições.

Um espaço de liberdade e pensamento no coração de Lisboa.
Montra original Livraria Buchholz, Rua Duque de Palmela 1966
Montra original Livraria Buchholz, Rua Duque de Palmela 1966
1943 — hoje

80 anos de histórias

A 22 de julho de 1943, o alemão Karl Buchholz abre no nº 50 da Avenida da Liberdade uma livraria em nome próprio, à imagem e filosofia da Buchholz de Berlim, bombardeada meses antes pelos nazis. Lisboa é, durante a Segunda Guerra Mundial, porto seguro e de passagem para uma enorme comunidade internacional — e a «livraria alemã» torna-se mais uma peça deste súbito cosmopolitismo.

Passados mais de 20 anos, em 1965, a Buchholz instala-se na Rua Duque de Palmela. Os três pisos — uma Babel forrada a literatura, história, filosofia e painéis de madeira, com uma escada em caracol e múltiplos recantos de leitura — reforçam-na como poiso habitual da tertúlia lisboeta. Na cave nasce uma discoteca de música clássica e, no mesmo espaço, o crítico Rui Mário Gonçalves dirige uma galeria por onde passam Helena Almeida, Noronha da Costa, Álvaro Lapa, Areal e Cesariny.

Durante décadas, só trabalharam mulheres na Buchholz — tradição criada durante a guerra, quando os homens estavam na frente de combate.

Entretanto, Karl Buchholz partira já para a Colômbia, onde abriria mais livrarias, de um total de 12. A gerir a de Lisboa fica Katharina Braun, mulher apaixonada e temperamental, a quem sucede, nos anos 80, Karin Sousa Ferreira, apoiada de perto por Irene Rodrigues.

Pela livraria passaram muitos dos nomes que escreveram a história política do país — Mário Soares, Freitas do Amaral, Sá Carneiro, Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco Pinto Balsemão — e da cultura: António Lobo Antunes, Cardoso Pires, Al Berto, David Mourão-Ferreira, Vergílio Ferreira e Fernando Assis Pacheco. Foi aqui que, num encontro fortuito entre Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas, surgiu a ideia para o semanário O Independente.

Em 2009, depois de várias ameaças de fecho, a Buchholz passa a fazer parte do grupo Leya. Já em 2023, o espaço recupera o ADN da origem — «galeria de arte, música clássica e folclórica» — e volta a juntar, na mesma morada, uma curadoria independente e cuidada de livros, música e arte.

Marcos

A história, ano a ano

  1. 1943

    O início, na Avenida da Liberdade

    A 22 de julho, Karl Buchholz abre a livraria no nº 50 da Avenida da Liberdade, seguindo a filosofia da Buchholz de Berlim.

  2. 1965

    Rua Duque de Palmela, em três pisos

    A livraria muda-se para a morada de hoje, com discoteca de música clássica na cave e uma galeria de arte dirigida por Rui Mário Gonçalves.

  3. 60–70

    Ponto de encontro de ideias

    Frequentada por nomes da política e da cultura. Foi aqui que nasceu a ideia do semanário O Independente.

  4. 1975

    O encerramento da galeria

    A galeria de arte encerra, num tempo de mudança para o país e para a livraria.

  5. 2009

    Integração no Grupo Leya

    Após ameaças de encerramento, a Buchholz integra o Grupo Leya, garantindo a continuidade de um espaço único na cidade.

  6. 2023

    De volta ao ADN original

    A livraria recupera o seu ADN, com uma curadoria que volta a unir livros, música e arte na mesma morada.

Karl Buchholz
Máquina de escrever onde a escritora Isabela Figueiredo escreveu os primeiros manuscritos. A máquina, do seu pai, foi cedida pela escritora para exposição na livraria
O fundador

Karl Buchholz

Göttingen, 1901 — Bogotá, 1992

Educado em Frankfurt por uma tia, Karl Buchholz chega a Berlim no arranque dos loucos anos 20, em busca de trabalho como livreiro. Ousado e impetuoso, passados apenas quatro anos abre uma livraria em nome próprio — a primeira de 12, na Europa e nas Américas.

A de Lisboa surge em 1943. Além dos livros em diversas línguas, negoceia na clandestinidade «arte degenerada», assim apelidada pelos nazis. Em 1965 muda a livraria para os três andares da Duque de Palmela, com discoteca e galeria. Por essa altura, o seu nome chegara já à Colômbia, onde a família se instalara na década de 1950. Morre em Bogotá, em 1992.

Curadoria de hoje

Música & arte, de volta a casa

A melhor discoteca de Lisboa
Música

A melhor discoteca de Lisboa

Com a mudança para a Duque de Palmela, em 1965, a Buchholz ganha uma secção de «música clássica e folclórica» — chegou a ser considerada a melhor discoteca de Lisboa, fonte de relíquias para os melómanos mais informados. Hoje volta a oferecer uma cuidada seleção de vinis, das novas tendências aos catálogos esquecidos, com a curadoria da Flur Discos.

Uma galeria de referência
Arte

Uma galeria de referência

A partir de 1966, sob a direção de Rui Mário Gonçalves, a Galeria Buchholz torna-se uma das mais respeitadas de Lisboa, com Helena Almeida, Noronha da Costa, Álvaro Lapa, Areal e Cesariny a expor na cave. Quase 50 anos após o seu fecho, em 1975, as artes plásticas voltam a ter destaque, com originais, reproduções e gravuras de artistas portugueses selecionados pela Icon Shop.

Exposição permanente

Snu Abecassis e as Publicações Dom Quixote

Snu Abecassis e as Publicações Dom Quixote

Snu Abecassis tem 24 anos quando resolve lançar-se, com o marido Vasco Abecassis, na criação de uma editora. A inspiração é evidente: o padrasto, Tor Bonnier, editor sueco próximo da Academia Sueca e da elite literária mundial. A jovem dinamarquesa — que nasceu Ebba mas a quem chamavam Snu, «esperta» — quer mudar o mundo, e acredita que a literatura e a informação têm esse poder. Mesmo num país latino sob ditadura, onde veio parar por casamento.

Ao longo das décadas de 1960 e 1970 fará das Publicações Dom Quixote uma voz contracorrente de referência, publicando Marguerite Duras, Saul Bellow, Samuel Beckett, Reinaldo Arenas, Heinrich Böll, Soljenítsin, Norman Mailer, Pablo Neruda, Vinicius de Moraes, Paul Éluard, Noam Chomsky, Jean-Paul Sartre e Quino, e, entre os portugueses, António Lobo Antunes, Natália Correia, Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Alexandre O'Neill, David Mourão-Ferreira e José Cardoso Pires. Um legado que perdura mesmo depois da sua morte, no desastre de avião que vitimou também o companheiro da segunda parte da sua vida, Francisco Sá Carneiro.

«É o nosso dever estar na oposição. Uma editora deve ser sempre o reflexo do mundo, deve trazer novas ideias e estar sempre atenta.» Snu Abecassis, 1980
Uma vivenda com um limoeiro
O escritório

Uma vivenda com um limoeiro

As Publicações Dom Quixote nascem em 1965, no n.º 117 da Rua da Misericórdia, ao Chiado. Menos de dois anos depois mudam-se para uma luminosa vivenda na Rua Luciano Cordeiro, n.º 119 — cave, sótão, anexo feito cozinha e um jardim com um limoeiro. Cabe tudo aqui, dos serviços administrativos ao arquivo, telexes e biblioteca, e ainda o gabinete do braço-direito e diretor editorial, Carlos Araújo. Junto ao telefone, sentada num cadeirão de orelhas e acompanhada da agenda, um dos seus bens mais preciosos, Snu fazia contactos e decidia estratégias. Sobre a mesa, flores sempre frescas.

O cavaleiro contra os moinhos
O logótipo

O cavaleiro contra os moinhos

A escolha do nome terá sido «mais por acaso do que por intenção», mas não tardou que a figura do fidalgo idealista que luta contra moinhos de vento se colasse à editora. Desenhada a tinta-da-china pelo arquiteto Homero Amaro, a marca do cavaleiro mantém-se até hoje em todos os livros da Dom Quixote.

Primeiros livros

A 1 de abril de 1965, a Dom Quixote é apresentada na Sociedade de Geografia, com cinco estreias — uma por coleção, da ficção ao ensaio:

  • O EsconderijoRobert Shaw
  • A África Começa MalRené Dumont
  • As Duas CulturasC. P. Snow
  • Vírus SatânicoAlistair MacLean
  • Aventuras de PeléGösta Knutsson

Cadernos Dom Quixote

No final dos anos 60, Snu cria uma coleção de livros «baratos e de qualidade» sobre os temas mais polémicos:

  • O Conflito Israelo-Áraben.º 1
  • Bolívia – Um Segundo Vietnamen.º 2
  • A Revolta dos Negros Americanosn.º 3
  • Grécia 67n.º 4

Reuniam artigos da imprensa internacional, da Life ao Le Nouvel Observateur — e foram prontamente apreendidos pela PIDE.

Ievtuchenko em Lisboa

Em maio de 1967, Snu convida o poeta soviético Ievgueni Ievtuchenko a Portugal: instala-o no Ritz, leva-o aos 50 anos das aparições de Fátima (onde está o papa Paulo VI) e ao futebol (Belenenses–Porto). Nessa noite, mais de três mil pessoas esgotam o Capitólio, no Parque Mayer, para o ouvir declamar — um claro desafio ao Estado Novo. Assis Pacheco assina a tradução; Snu reedita a Autobiografia Prematura e publica Ievtuchenko em Lisboa.

Do arquivo
A editora

Caminho

A Caminho começou a publicar em 1977 e tornou-se uma das mais prestigiadas editoras literárias portuguesas. Por ela passaram José Saramago (desde 1979), Alice Vieira, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Mia Couto, Mário de Carvalho, Sophia de Mello Breyner Andresen, Paulina Chiziane, Gonçalo M. Tavares e Luandino Vieira, entre centenas de outros autores, portugueses e estrangeiros. Oito autores publicados pela Caminho receberam o Prémio Camões; em 1998, José Saramago recebeu o Prémio Nobel.

Zeferino Coelho, editor

20 marcos na história da Caminho

  1. 1979 Rosa, Minha Irmã RosaAlice Vieira
  2. 1980 Levantado do ChãoJosé Saramago
  3. 1982 Uma Aventura na CidadeAna Maria Magalhães e Isabel Alçada
  4. 1986 Questionar a HistóriaAntónio Borges Coelho
  5. 1987 Estórias AbensonhadasMia Couto
  6. 1989 O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva AraújoGermano Almeida
  7. 1990 Obra Poética ISophia de Mello Breyner Andresen
  8. 1991 Ninguém Morre SozinhoDaniel Sampaio
  9. 1994 Um Deus Passeando Pela Brisa da TardeMário de Carvalho
  10. 1999 Ventos do ApocalipsePaulina Chiziane
  11. 2002 O Sr. ValéryGonçalo M. Tavares
  12. 2002 Momentos de AquiOndjaki
  13. 2003 A Vida Verdadeira de Domingos XavierLuandino Vieira
  14. 2003 As Duas Sombras do RioJoão Paulo Borges Coelho
  15. 2007 Odília ou a História das Musas Confusas…Patrícia Portela
  16. 2009 Diálogos para o Fim do MundoJoana Bértholo
  17. 2011 Estórias de Amor para Meninos de CorKalaf Epalanga
  18. 2015 Caderno de Memórias ColoniaisIsabela Figueiredo
  19. 2015 O Caderno do AlgozSandro William Junqueira
  20. 2019 Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano VelosoAlexandra Lucas Coelho
Em exposição

Objetos Autores

Cadernos, manuscritos e objetos que revelam os processos criativos de vários escritores — uma mostra a percorrer entre as estantes.

A livraria

Três pisos para perder a conta ao tempo

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Morada

Rua Duque de Palmela, 4
1250-098 Lisboa

Horário

Segunda a sexta: 10h–19h
Sábado: 10h–14h