Snu Abecassis e as Publicações Dom Quixote

Exposições

Snu Abecassis e as Publicações Dom Quixote

Exposição permanente

29/jun/26

"É o nosso dever estar na oposição. Uma editora deve ser sempre o reflexo do mundo, deve trazer novas ideias e estar sempre atenta." Snu Abecassis, 1980

Sala Principal

Descrição

Snu Abecassis tem 24 anos quando resolve lançar-se com o marido, Vasco Abecassis, na criação de uma editora. A inspiração é evidente: o padrasto, Tor Bonnier, editor sueco, próximo da Academia Sueca e da elite literária mundial. A jovem dinamarquesa – que nasceu Ebba mas a quem chamam Snu, «esperta», porque «já no berço parecia espertíssima», lembraria a mãe1 – quer mudar o mundo, e acredita que a literatura e a informação têm esse poder. Mesmo – ou sobretudo – num país latino sob um regime ditatorial, onde veio parar por casamento. Tão idealista como pragmática, encontra no editor António Neves Pedro, que estivera ligado à Penguin em Londres, o terceiro sócio de que precisam. A parceria durará pouco, tal como a presença de Vasco em Portugal, chamado para cumprir o serviço militar obrigatório na Guiné-Bissau. Nada disto a deterá, e ao longo das décadas de 1960 e 1970 fará das Publicações Dom Quixote uma voz contracorrente de referência, com a publicação cuidada de grandes nomes do pensamento, da literatura, da poesia e até do cartoon. Incluem-se, entre os internacionais, Marguerite Duras, Saul Bellow, Samuel Beckett, Reinaldo Arenas, Heinrich Böll, Aleksandr Soljenítsin, Norman Mailer, Pablo Neruda (traduzido por Fernando Assis Pacheco), Vinicius de Moraes, Paul Éluard (com tradução de António Ramos Rosa e de Luiza Neto Jorge), Noam Chomsky, Jean-Paul Sartre e Quino, e, entre os portugueses, António Lobo Antunes, Natália Correia, Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira e José Cardoso Pires. Um legado que perdurará, mesmo depois da sua morte no desastre de avião que também vitimou o companheiro da segunda parte da sua vida, Francisco Sá Carneiro. Hoje, a Dom Quixote mantém-se um selo de qualidade e independência, com um catálogo de mais de dois mil títulos em permanente atualização.